Emoções Que a Pele Sente 🤔

By
336x280

Paola PomerantzeffPOR DRA. PAOLA POMERANTZEFF*

Você sabia que a pele é o maior e mais extenso órgão do corpo humano? Ela corresponde a 15% do peso total de uma pessoa. Isso quer dizer que, se uma pessoa pesa 60 kg, 9 kg são pele!

A pele reveste e delimita o organismo, separando e protegendo o “interior” do mundo externo. Desde muito cedo, ela tem uma íntima relação com o sistema nervoso, pois ambos derivam da mesma camada embrionária (ectoderme). Essa relação continua, no decorrer dos anos, atuando como representante de emoções e sensações, trazendo para a superfície do corpo sentimentos da alma.

Com essa ligação tão íntima, o lado emocional e o estresse podem agravar ou desencadear dermatoses. Em contrapartida, algumas dermatoses podem levar a estigmas e gerar alterações emocionais e estresse na pessoa (como vergonha, ansiedade ou tristeza).
A pele comprometida, principalmente em áreas descobertas, expõe o paciente e gera desconforto e sofrimento psíquico.

Dentre as principais dermatoses de fundo emocional podemos destacar a acne, o vitiligo (cujo aparecimento, apesar de não comprovado, muitas vezes ocorre após traumas ou eventos emocionais extremamente desagradáveis), psoríase, alopécia areata (queda de cabelos localizada ou generalizada e até mesmo de pelos e sobrancelhas), dermatite seborreica, dermatite atópica e hiper-hidrose localizada ou não (aumento importante do suor em alguma área do corpo). Todas essas dermatoses, além de poderem ser causadas por fundo emocional, também podem, pela não integridade da pele, gerar ansiedade, tristeza e estresse.


PRINCIPAIS DERMATOSES E DIAGNÓSTICO

mulher-olhando-no-espelho1No dia a dia do meu consultório é muito comum atender pacientes com problemas causados por estresse emocional. Os mais comuns são queda de cabelos e acne. A acne, que era uma dermatose quase exclusiva dos adolescentes, vem aumentando consideravelmente nos adultos. Cerca de 80% das vezes ou mais está relacionada ao estresse.

A queda de cabelos também é uma queixa extremamente comum.

No meu consultório, outra dermatose frequente que piora com o estresse é a dermatite seborreica (a popular “caspa”), que pode ser desencadeada pela primeira vez em um paciente pelo estresse. Ela pode ser controlada e se manter assim por longos períodos. Porém, muitas vezes, novos episódios são gerados por essa causa.

Para um diagnóstico preciso, é fundamental uma boa relação médico-paciente. A melhor forma de diagnosticar e tratar alguém que sofre de algum problema de pele ou cabelos ligado ao fator emocional é, em primeiro lugar, afastar toda e qualquer causa não emocional.

É preciso fazer uma investigação cuidadosa de todas as outras causas possíveis, que se inicia com uma anamnese bem feita, exame físico cuidadoso, exames laboratoriais e até complementares, se necessário.


mulher-correndo

Para combater o estresse a fim de evitar que seus efeitos prejudiquem a saúde da pele e dos cabelos, o ideal é manter uma alimentação saudável, não fumar, ingerir pouca bebida alcoólica, praticar esportes e equilibrar a vida pessoal com a profissional. O difícil, entretanto, é colocar em prática! Nunca teremos um mundo ideal. Eu sempre falo para os meus pacientes:

“É pouco provável passar pela vida sem estresse, precisamos aprender a lidar com ele para não deixar que afete o  nosso bem-estar, a nossa integridade física e mental”.

Não há receita pronta.

O caminho pode ser organizando a agenda, diminuindo a autocrítica, identificando fontes de estresse e tentando eliminá-las realizando atividades que lhe deem prazer. Como dizia um professor meu: “A doença é a chance de cura”.

A chance de perceber que algo não está bem, identificar o problema e tentar mudar, cada um da sua maneira e no seu tempo. Afinal, parafraseando Caetano, cada um “sente na pele” a dor e a delícia de ser o que é.

*Dermatologista membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e sócia da Clínica Haute, em São Paulo.

468x60

Leave a Comment

Your email address will not be published.

468x60

You may also like