S.O.S SKIN: Diferentes tipos de Acne e Qual o Melhor Tratamento

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A acne é uma das doenças de pele com o maior número de queixas nos consultórios dermatológicos. Para entender melhor como essa doença inflamatória funciona e quais são os tratamentos mais adequados, entrevistamos a dra. Claudia Marçal, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

Quais são os sintomas da acne?
Dra. Claudia: os sintomas podem ser comedões (cravos), pápulas (lesões sólidas arredondadas, endurecidas e eritematosas), pústulas (lesões com pus), nódulos (lesões caracterizadas pela inflamação, que se expandem por camadas mais profundas da pele levando à destruição de tecidos e ao surgimento de cicatrizes) e cistos (maiores que as pústulas, expandem-se por camadas mais profundas da pele quando inflamados, causando dor e até cicatrizes). As lesões atingem principalmente a face, mas também podem aparecer no peito, nas costas e nos ombros.

Além dessas lesões, a acne também pode impactar no estado emocional?
Dra. Claudia: sim! Mais recentemente, o impacto psicossocial da acne vem sendo tema de muitos estudos. Uma pesquisa da Associação Britânica de Dermatologia, por exemplo, demonstra que 54% dos adultos britânicos que já experimentaram acne sentem que ela teve impacto negativo em sua autoconfiança e 22% acham que o problema impactou negativamente em suas interações sociais. Outro estudo britânico, chamado “Risk of depression among patients with acne in the U.K.: a population-based cohort study” e publicado no British Journal of Dermatology, constatou que, no primeiro ano após o diagnóstico de acne, os pacientes têm o risco aumentado em 63% de desenvolver depressão em comparação com pacientes que não têm acne.

Quais os diferentes tipos de acne?
Dra. Claudia: há cinco tipos: a acne conglobata, caracterizada por lesões profundas que podem conter secreção; a acne comedoniana ou acne não inflamatória, definida pela presença de cravos principalmente na testa, bochecha e nariz; a acne pápulo-pustulosa, com presença de cravos e espinhas avermelhadas, inflamadas, que causam dor e contêm pus; a acne nódulo-cística, que inclui não só comedões, pápulas e pústulas, mas também lesões nódulo-císticas (espinhas internas), com predominantes sinais inflamatórios; e a acne fulminans, o tipo mais raro e grave, em que, além das lesões, ainda aparecem sintomas como febre, fraqueza e dor muscular.

O surgimento da acne pode ter relação com a alimentação?
Dra. Claudia: a presença da acne pode estar relacionada ao consumo de alimentos com alto índice glicêmico, que colaboram para a hiperprodução sebácea. Tem se falado, recentemente, sobre a suplementação com whey protein, o soro do leite, que pode ter efeito secundário maléfico para a pele. Por ser rico em IGF-1, um hormônio semelhante à insulina 1, o pó aumenta a produção do sebo que contribui para o desenvolvimento da acne.

Tem pessoas que deixam de hidratar a pele com medo de piorar o quadro da acne. Isso procede?
Dra. Claudia: isso é um erro. As peles com acne precisam ser sempre hidratadas. É importante usar hidratante e filtro solar para formar uma barreira contra os fatores de agressão, como calor, luz solar infravermelha, luz visível, mudanças de temperatura e exposição ao ar-condicionado. Tudo isso estimula a produção de óleo, na tentativa de compensar a agressão sofrida pela pele.

O que causa a acne?
Dra. Claudia: ela pode ser classificada em acne primária (acne vulgaris) e secundária (hormonal, cosmética, medicamentosa, solar e outras). No primeiro caso, trata-se da acne de adolescentes e adultos jovens, em que a predisposição genética, estimulada pela produção hormonal, favorece o desenvolvimento das lesões. Na acne secundária, acontece um processo mais específico, em que as lesões aparecem por efeito colateral. No caso dos adolescentes, o surgimento da acne está associado, quase sempre, à formação de muita queratina, que acaba obstruindo o folículo piloso. Já a acne em mulheres adultas é considerada, hoje, uma patologia à parte. Isso porque existe a influência das pílulas, a presença de miomas, ovário policístico, estresse e terapia de reposição hormonal, entre outros fatores.

A acne pode surgir pelo uso incorreto de cosméticos e maquiagens?
Dra. Claudia: a acne pode se agravar quando o paciente usa um produto cosmético inadequado ao seu tipo de pele. O uso de maquiagem com veículos gordurosos ou muito pesados pode obstruir os poros. Vale destacar que muitos pacientes abusam da limpeza, usando produtos mais abrasivos que retiram toda a oleosidade, e esse comportamento causa o efeito rebote: em um primeiro momento a pele fica ressecada, pois perde gordura e água, e o organismo, entendendo que sofreu alguma agressão, produz ainda mais oleosidade.

Qual a melhor forma de tratar a acne?
Dra. Claudia: o primeiro passo é investigar se há histórico familiar, se tem origem na adolescência, ou se é acne da mulher adulta (o homem também pode ter) decorrente de estresse ou de outros fatores. É importante higienizar a pele regularmente, entre duas e três vezes ao dia, com sabonetes à base de extratos calmantes e ação adstringente e anti-inflamatória, como o acneol SR, que pode ser encontrado nas farmácias de manipulação. Extrato de hamamélis, cobre e zinco também são substâncias aliadas da pele acneica. Além do uso habitual da isotretinoína e de probióticos, alternando com os ácidos com vitamina C (nicotinamida e azeloglicina) e vitamina A, é possível utilizar fosfolipídeos de caviar por via oral, muito indicado no controle inflamatório da patologia. O uso de peróxido de benzoíla à noite ajuda a secar as espinhas e diminuir a inflamação.

O uso do led pode trazer benefícios no tratamento da acne?
Dra. Claudia: sim! O LED de luz azul também é bem-vindo. Sua ação bacteriostática é muito importante, pois faz um controle cicatricial e melhora a pigmentação que invariavelmente permanece quando uma lesão perdura por mais tempo. Outra opção para complementar o tratamento é usar a luz infrared, cujos potenciais cicatricial, calmante e anti- -inflamatório são enormes.

Como tratar as manchas e as cicatrizes decorrentes da acne?
Dra. Claudia: quando surgem as cicatrizes, é a autoestima que sai prejudicada. Por isso, uma opção que propicia resultados eficazes e é comum em quem teve acne por muito tempo é o microagulhamento de ouro com radiofrequência. Além de não prejudicar a rotina do paciente, é um procedimento pouco doloroso. Com ele é feito o reparo e a estimulação desse colágeno danificado pelo próprio processo inflamatório, que destruiu o tecido de boa qualidade.


Acompanhe o trabalho da Dra. Claudia Marçal em

https://www.instagram.com/espacocarizdermatologia/


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